Crescimento Pessoal e Alegria de Competir: A Experiência Do Adam Davidson Como Novato No Games

September 29, 2020 by
Photo Credit: @kgoodphoto (instagram.com/kgoodphoto)

Editor’s Note: This story was translated to Portuguese by Axel Gouveia from the original English version, which you can read here.

Antes do início do CrossFit Games 2020, o novato Adam Davidson presumiu que seria um “atleta que participaria só uma vez.”

“Eu meio que pensei nisso como a conclusão de uma jornada de oito anos. Eu achei que estaria satisfeito independente de como fosse”, disse o atleta de 29 anos.

Ele até pensou que depois de finalmente participar do Games, seria a hora de parar de competir, focar na sua academia, CrossFit LoLo em Victoria, BC, e na festa do seu casamento em Maio do ano que vem, que foi adiada devido ao COVID-19.

Por ele achar que essa seria sua única chance, quando descobriu que a Primeira Fase do Games seria uma competição online, ele decidiu abraçar o formato e “criar, da melhor maneira possível, uma verdadeira experiência do Games,” e “aproveitar cada momento,” disse ele.

Estava indo tudo bem.

Até que a Fran apareceu.

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Friendly Fran

É sexta-feira de manhã na CrossFit LoLo. Não parece com Madison, WI, mas ainda assim parece os CrossFit Games. 

Davidson parece animado e pronto, vestindo com orgulho seu casaco do CrossFit Games com a bandeira do Canadá.

Apesar da torcida ser pequena, eles estão agitados e prontos para gritar. E tem até uma equipe de mídia, coordenada pela sua esposa, Kelsey Davidson, que segue todos os passos do seu marido durante o final de semana, e conduz uma entrevista formal após cada prova.

3, 2, 1 Valendo…

Depois de duas sólidas rodadas de thrusters e pull-ups, Adam vê seu rendimento cair durante a terceira rodada, resultando em pequenas séries de pull-ups, incluindo uma única repetição em um momento. Ele cai no chão parecendo derrotado. Quando junta forças para falar, diz que talvez tenha que ir para o hospital.

“Minha pegada acabou. Isso foi repugnante,” ele diz, momentos antes de ir para o banheiro e vomitar “pela primeira vez na vida” depois de um workout.

Voltando do banheiro, ele está sorrindo mas parece estranhamente pálido. Ele senta no sofá, rodeado de seus fãs.

“Eu acho que comi muito antes”, ele diz sobre seu erro de novato. “Eu comi uma xícara de clara de ovos, uma de berries e uma de mingau de aveia.”

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Olhando para trás, uma semana antes, durante suas férias em Tofino, com Kelsey, Emily Rolfe, atleta do Games de 2019, e seu marido, ele admitiu que os primeiros três eventos – Friendly Fran, 1 Rep Max Front Squat e Damn Diane – não eram o que ele queria.

Nem tanto porque não conseguiria os resultados que queria, mas porque não estava se divertindo, admitiu.

“Eu fiquei muito preso na minha própria cabeça durante os três primeiros eventos. Não fui com a energia que eu queria,” disse ele.

“E sendo sincero, meu sistema nervoso central estava abalado por um bom tempo depois da Fran. Eu acho que só me recuperei dela uma semana depois,” ele acrescentou, rindo.

O momento em que as coisas mudaram.

Adam acabou de terminar a Damn Diane.

De repente, ele vê alguém andando em direção à rampa de entrada da academia. Preso no momento da competição, Adam não reconhece que é o seu irmão Connor, que voou de Ontário para surpreendê-lo.

Connor estava quase no topo da rampa quando Adam percebeu o que estava acontecendo. Ele começou a chorar e deu um longo e emotivo abraço em seu irmão.

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Connor, o irmão mais velho, rapidamente reconhece que seu irmão mais novo não está com a cabeça onde deveria estar para tirar o melhor de si durante o final de semana, e rapidamente interfere.

“O que você quer tirar desse final de semana? Você quer sentir que teve uma experiência incrível?” Connor pergunta retoricamente. “Então coloque a cabeça no lugar e comece a se divertir.”

Era exatamente o que Adam precisava ouvir.

Connor aumenta a música e começa a cantar para seu irmão.

A sua energia passa para o Adam, que começa a dançar com a torcida enquanto eles seguram cartazes, criados por Kelsey, com os rostos de vários competidores, incluindo Mat Fraser, Bjorvin Karl Gudmundsson, Jacob Heppner, Noah Ohlsen, Cole Sager, Pat Vellner e outros.

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Mais ou menos quarenta espectadores chegam na escola de ensino médio, onde Adam está se preparando para atacar a Nasty Nancy numa pista com vista pro pacífico.

Eles levantam os cartazes de novo para se divertir um pouco. Em vários momentos durante o evento, eles correm atrás de Adam, para tirar um pouco da pressão, trazer um pouco de humor e “fazer parecer que eles(atletas) estavam correndo atrás de mim”, Adam diz, rindo.

Ele admite que no momento ele não notou a zoeira e os “competidores dos cartazes” correndo atrás, mas, de qualquer maneira, ele conseguiu sentir o apoio. Mais importante, ele está finalmente começando a aproveitar a experiência da maneira que ele esperava.

Quando os resultados finais foram anunciados, Adam descobriu que ficou em 27° lugar de 30 competidores. Considerando que seu objetivo era o top 15, ele poderia estar desapontado, mas não está.

“Eu aprendi tanto esse final de semana. Apesar de eu ter um objetivo – top 15 – eu aprendi a não me apegar tanto a ele,” disse.

Apesar de sua melhor colocação ter sido um 5° lugar no Handstand Hold, Adam disse que ele se sente mais orgulhoso da sua performance no último evento, Awful Annie, em que ele ficou em 25°, pois finalmente estava se sentindo cem por cento.

“Eu finalmente me senti como eu mesmo. Eu gostei de estar ali,” disse ele sobre o Awful Annie.

“É fácil se desanimar se você não atinge o objetivo, mas eu percebi que posso ter um objetivo, não alcançá-lo e mesmo assim me divertir no processo”, acrescentou.

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Se tornando uma melhor versão de si mesmo.

Como qualquer outro verdadeiro competidor, o aprendizado pelo qual Adam passou durante sua experiência como novato no Games não o deixou apenas “contente” por ter participado, como ele imaginava.

“Honestamente, pensei que ficaria feliz de ter participado, mas algo mais aconteceu,” ele disse. “É quase como se eu tivesse ficado mais competitivo. Existe um novo objetivo agora. Eu sinto que posso fazer mais.”

Ele sabe que pode fazer mais pelo que ele levou consigo do último final de semana.

“Eu aprendi sobre mim mesmo que quando eu compito, a atitude que eu tenho que ter é de me divertir, mas também de ser agressivo. Competir não pode ser só diversão, mas também não pode trazer só negatividade. Eu tenho que virar a chave dessa empolgação e também ser o mais agressivo possível.”

Apesar de ele estar querendo mais do que nunca, ainda não é hora de focar em 2021.

Depois de terminar a última prova, Adam comemorou com um “poutine” extra grande, “e meu irmão pegou umas doses para gente, eu não bebo, e ele disse ‘eu não saio daqui até você beber’, então ele me deixou bem bêbado,” disse Adam.

O plano agora é continuar a descansar o seu corpo e tirar um mês de férias enquanto continua ativo, mas sem se puxar demais na academia. Ele precisa disso.

“Foi uma temporada tão longa. Eu tentei ser positivo o tempo todo, mas ficar na minha melhor forma durante três meses e meio foi difícil. Eu acho que me senti mais condicionado em Julho do que me senti competindo no último final de semana, então foi um alívio quando acabou,” disse ele.

Adam acrescentou: “Então vou relaxar agora, mas sei que em breve vou me sentir animado para treinar de novo.”