Análise Das Provas Dos CrossFit Games: Quando As Coisas Ficam “Estranhas”

October 7, 2020 by
Photo Credit: Athletes Eye (instagram.com/athleteseyephotography)

Editor’s Note: This story was translated to Portuguese by Axel Gouveia from the original English version, which you can read here.

Estamos a menos de duas semanas da continuação dos Reebok CrossFit Games 2020 e, como de costume, não sabemos quase nada sobre o que aguarda os dez atletas que avançaram para a próxima fase. Até agora, só podemos especular, baseado em dados e métricas passadas, o que espera esses atletas no Rancho em Aromas, nos dias 19 a 25 de Outubro. Nós vamos destrinchar os pontos fortes e fracos de alguns atletas em eventos que esperamos ver no Rancho.

Panorama geral: Estamos pegando dados passados, desde o Games de 2016 até o do ano passado para fazer nossa análise. O motivo disso é que no Games de 2016, sete dos dez atletas classificados para as finais estavam participando. No lado masculino, Mathew Fraser, Noah Ohlsen e Samuel Kwant competiram, e quatro das cinco mulheres vão retornar para o Rancho. Tia-Clair Toomey, Katrin Davidsdottir, Brooke Wells e Kari Pearce, todas ficaram dentro do top seis no Games de 2016.

“Objetos Estranhos”: Para termos consistência nós vamos definir workouts com “Objetos Estranhos” como qualquer prova que inclui algum equipamento que não é comumente usado nas academias de CrossFit tradicionais ou em workouts de CrossFit tradicionais.

  • O Games de 2016 teve dois workouts com “Objetos Estranhos”, o “Climbing Snail” e o “Plow”
  • O Games de 2017 teve três workouts com “Objetos Estranhos”, o “Assault Banger”, “Strongman’s Fear” e o “Madison Triplet”.
  • O Games de 2018 teve quatro workouts com “Objetos Estranhos”, o “Battleground”, “Chaos”, “Two-stroke Pull” e “Aeneas”.
  • O Games de 2019 teve só um workout com “Objeto Estranho”, o “Sprint Couplet”.

Os detalhes: Aqui está a média de colocação dos atletas nos dez workouts com “Objetos Estranhos”.

Homens:

  • Fraser = 7.3
  • Ohlsen = 14.3
  • Kwant = 17.2 (seis provas)
  • Adler = 39 (uma prova)

Mulheres:

  • Davidsdottir = 6.2
  • Toomey = 7.3
  • Pearce = 13.7
  • Wells = 18.2
  • Adams = 34 (uma prova)
Photo Credit: Athletes Eye (instagram.com/athleteseyephotography)

O que aprendemos com isso: No lado masculino continuamos a ver que o Fraser é dominante em relação aos outros atletas. A sua média de colocação é praticamente metade da do Ohlsen, que foi quem mais o ameaçou no ano passado e é considerado o atleta a desafiá-lo no Rancho esse ano. Fraser tem oito colocações dentro do top dez em provas com “objetos estranhos”. Ohlsen foi bem em alguns eventos desses, mas também já teve grandes dificuldades, com quatro colocações em 22° lugar ou abaixo. A média de colocação entre Ohlsen e Kwant é mais próxima, nos seis eventos em que se enfrentaram, terminaram a cinco posições de distância um do outro em metade deles.

No lado feminino é onde as coisas ficam interessantes. Historicamente, Katrin tem uma pequena vantagem sobre a Tia. Mas se tirarmos a melhor e a pior colocação de cada, a margem entre as duas se torna bem maior.

  • Katrin Davidsdottir = 4.3
  • Tia-Clair Toomey = 7.1

Apelidada carinhosamente de “Sled Dog” devido a seu sucesso em provas longas e duras, Katrin se destacou em workouts com “objetos estranhos”. Eles são exatamente o que ela gosta; abraçar a dor e trabalhar duro. Nos dez workouts com “objetos estranhos” que analisamos, ela tem seis colocações dentro do top três, incluindo três vitórias. Tia, que tem mais vitórias em eventos no Games do que qualquer outra mulher, nunca ganhou uma prova com “objetos estranhos” e tem só três colocações dentro do top três.

Conclusão: Fraser é conhecido por pegar suas fraquezas e torná-las pontos fortes. No Games de 2015, ele teve dificuldade com o “Pig” durante o “Soccer Chipper” ficando em 32° lugar e essa colocação contribuiu para que ele esperasse mais um ano para iniciar seu domínio na categoria masculina. Ele comprou o “Pig” com sua premiação de 2015 e treinou mais com “objetos estranhos” para se preparar para esse tipo de workout, o que o levou ao sucesso. Ohlsen e Kwant já foram expostos a esses eventos e tiveram níveis diferentes de sucesso e decepção neles. O que não sabemos é o que o Jeffrey Adler e o novato Justin Medeiros “trazem para a mesa”. Adler teve dificuldade no “Sprint Couplet” ano passado e parte do motivo de ter sido cortado foi essa performance. Medeiros, com seu passado no wrestling, é o tipo de atleta que pode ir bem em workouts com “objetos estranhos” que possam aparecer no Rancho.

Se workouts com “objetos estranhos” vão acontecer no Rancho em duas semanas não sabemos, mas para a Katrin Davidsdottir ter uma chance de acabar com a chance da Tia conquistar seu quarto título consecutivo, ela vai precisar que alguns desses aconteçam. Contar com a ajuda da Brooke Wells e da Kari Pearce ficando à frente da Tia nesses tipos de eventos também é plausível já que as duas tiveram sucesso nesse tipo de eventos. Com só cinco atletas competindo, cada colocação, cada ponto, vai contar na tabela de classificação. A Haley Adams não tem um longo histórico com esse tipo de prova, mas nunca subestime uma atleta que treina com o Rich Froning. Ela mostrou a sua capacidade para workouts longos e duros, e como isso vai ser transferido para workouts com “objetos estranhos” ainda está para ser determinado.