Temporadas de Mudanças: Como o Formato dos Games Afeta os Melhores do Esporte

November 29, 2020 by
Image Credit: CrossFit LLC
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Editor’s Note: This story was translated to Portuguese by Axel Gouveia from the original English version, which you can read here.

Acabou de acontecer o Dia de Ação de Graças aqui nos Estados Unidos, um feriado construído à base de gratidão e reflexão, e considerando que estamos à beira de outra mudança no formato da temporada dos CrossFit Games, vale a pena refletir sobre as mudanças das últimas duas temporadas e como elas refletiram no leaderboard final.

Importante ressaltar: Entender a influência do formato nos resultados é importante, considerando que quando falamos da colocação final nos Games, estamos falando sobre o sustento de atletas dos quais a reputação, a exposição, e bons patrocínios podem ser drasticamente alterados pelo número ao lado de seus nomes no leaderboard.

  • Tipicamente há dois grandes marcadores usados pelos atletas dos Games que têm servido como parâmetro para avaliar as mudanças no leaderboard geral ao final do ano.
  • O top 10 é o corte mais comum da verdadeira elite do esporte, e colocações finais consistentes dentro dele representam a evolução de um atleta dos Games que construiu uma presença significativa no topo. Tipicamente, atletas que estão no top 10 também ganharam uma Regional ou um Sancionado no caminho.
  • O top 5 é o próximo passo para se tornar “um dos rostos do esporte”, além de se tornar um forte candidato ao pódio ano após ano. Considerando que uma colocação em um evento tem sido a diferença de pontos entre o pódio e o quarto colocado na categoria masculina, em quatro dos últimos cinco anos.

Ao compararmos o número de novos atletas que conseguiram entrar no top 10 e no top 5 dos Games nos últimos dois anos, nós vemos um aumento significante em ambas as categorias quando comparado às temporadas de 2018 e 2017, quando o formato ainda estava estável.

  • 16 novos atletas terminaram dentro do top 10 durante as temporadas de 2020 e 2019, um aumento de 60% comparado a só 10 atletas em 2017 e 2018.
  • 8 novos atletas terminaram dentro do top 5 durante as temporadas de 2020 e 2019, um aumento de 166% comparado a só 3 atletas em 2018 e 2017.
  • Juntando as duas categorias, 24 novos atletas conseguiram esse feito, um aumento de 84.6% comparado a só 13 atletas em 2017 e 2018.

Já vimos isso antes, embora em circunstâncias ligeiramente diferentes. A temporada de 2015 foi a última vez em que houve uma mudança grande o bastante na estrutura da temporada comparado às mudanças recentes. O formato das Regionais mudou de 17 ao redor do mundo, para apenas 8 “super” Regionais, tornando o processo de classificação para as Regionais bem mais difícil, consequentemente aumentando o nível dos atletas nas Regionais de uma maneira geral.

  • Naquele ano os Games tiveram 19 novos atletas no top 10 e no top 5, o que foi um aumento de 46% em uma única temporada. Não é pouca coisa considerando que 2014 foi um ano não usual, com 8 novas atletas mulheres entrando no top 10.

Vale notar: Quando comparado às temporadas de 2015/2014, a diferença dos últimos dois anos é que o principal motivo das mudanças no leaderboard tem sido o formato da competição, e não o processo de classificação.

  • Elementos do processo de classificação também mudaram, mas facilitou o acesso dos atletas que já esperamos que se classifiquem para os Games (junto com alguns novos), antes da combinação de cortes, várias fases e limitações no formato da programação, que acabaram moldando o leaderboard de novas maneiras.

Vá mais fundo: Depois de mais investigações sobre os detalhes do formato dos Games nos últimos dois anos, é difícil ignorar uma grande diferença em relação aos domínios de tempo da programação que o analista Brian Friend apresentou no Talking Elite Fitness podcast durante um episódio recente.

  • Há uma ausência gritante de workouts de “duração média”, durante as primeiras seis provas de 2019, e a primeira fase de 2020. Com a definição dos domínios de tempo sendo dividida entre, longo (+16 minutos), médio (8-16 minutos), e curto (1-7 minutos).
  • De fato, só uma prova das 13 programadas durante essas duas etapas se encaixa nessa categoria. Isso significa que as provas escolhidas para encontrar os 10 atletas em 2019 e a 5 atletas em 2020, não incluíram o domínio de tempo mais associado com o treinamento de CrossFit.
  • Em qualquer outro ano isso não teria importância, já que todos os atletas faziam o teste completo, mas quando esse não é o caso, omitir um domínio de tempo, ou uma modalidade em particular (ex: levantamento de peso), cria o potencial de distorcer resultados. É aí que entra a semelhança com as mudanças de 2015, ambas determinaram, em diferentes fases, quem participaria do teste completo dos Games.

Porque isso importa: Voltando ao raciocínio de abertura, quando falamos sobre uma mudança no leaderboard e o porquê dela acontecer, estamos falando de alterações no sustento e na carreira dos atletas, então, nenhuma mudança, por menor que seja, é insignificante.

  • Às vezes a mudança é necessária. Alterações demográficas e o crescimento de mercados internacionais requerem mudanças que atendam à demanda de um esporte em crescimento e da população global. Às vezes a mudança é forçada, como nesta pandemia global, e nós temos que nos adaptar e fazer o melhor com o que temos disponível.

De qualquer maneira, o esporte está à beira de mais uma mudança na temporada, a comunidade tem que entender o efeito que essas mudanças podem ter em todos os níveis e nos manter responsáveis para evitar pontos cegos, mantendo o verdadeiro fitness no centro do nosso esporte a longo prazo.

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